segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ode à Vitória

Não sei do que tratam
As medalhas que carrego no peito.
Me pesam o pescoço,
Preciso deixá-las para trás;
É um fiasco me sustentar
Sobre as pernas de um passado apodrecido.
Aquelas garotas já não me admiram,
O que posso fazer?
Já não quero carregar o amor
Entre ampulhetas quebradas..
Cuspo os dentes fora...
Moedas para as enxurradas;
Lâminas para meus inimigos...
Sobra a alma, jogada em uma sarjeta qualquer.
..
Algumas crianças correm por um jardim,
Falam como crianças, pensam como crianças..
Me aproximo delas,
Quero fazer parte de algo..
Ser criança e correr por um jardim..
Desde que me tornei homem,
Eliminei as coisas de criança..
Hoje vejo face à face..
Já não sou mais criança..
Tampouco aquelas garotas irão me admirar..
E já não sei do que trata
A palavra vitória...


"Por ora restam a Futilidade, a Desistência e o Egoísmo;
A maior delas, porém, é o Egoísmo"

sábado, 27 de outubro de 2012

Saudade

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Um pedaço teu conservo
Incapaz de me despedir,
Nos horizontes observo
Minhas torres à ruir..


[Vou postar arranjos curtos para Piano;
Senti saudade de compor algo
E tá tudo abandonado aqui..
Uma homenagem à distância...]

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Duas Primaveras

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Não deixar que os sonhos escapem por entre os dedos...

sábado, 20 de outubro de 2012

Deuses e Feras

Mover os braços embaixo d'água
Diminuir a distância entre as mãos.
Entre alegria escoriada, sufocar-se;
Entre os destroços desaparecer..
Tornar-se um deles..
Anjos choram pelos cantos..
Eu é que despenco. Sou uma farsa!
Acenderei um cigarro,
Uma homenagem ao seu sorriso falso,
E outro para Deuses esculpidos em carvão,
Para cravar em sua boca
Toda a impureza de ser humano.
Então choraremos todos juntos..
Como feras desgraçadas e sujas de lama,
Nos embrenharemos pelos vales,
Procuraremos por abrigo, até que morramos fome.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Insetos em Agonia

Aqui em baixo, todos deprimidos.
Em torno de uma negra estátua,
Os seres clamam por atenção. Todos, sem exceção.
Insetos agonizam pelos vales, porém
Em uma frequência que já não podemos ouvir.
Estamos mortos, infecundos de uma forma estranha..
E mesmo que os anjos descessem dos céus
Com suas faces em luz banhadas,
Deprimidos, aqui em baixo,
Daríamos de ombros aos seus cantos magníficos.

Toque

Haveria então cometido o pior dos erros;
Esperavas por mim..
Um toque e tudo veio abaixo,
E o amor é só vazio e solidão.
É isto que carrego nas mãos.
Isto e sangue pisado.
Esperavas por mim, em uma vitrine..
Mas não pude alcançá-la.. Nunca poderia..
Haveria cometido o pior dos erros..

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Carniça

Sinto cheiro de carniça logo cedo,
Tranco os olhos bem firme,
De modo que não veja a luz.
[Não quero foder o meu dia, à essa hora da manhã]
Sinto-me patético.. Por ser, ainda, o mesmo.
Desejo que os anjos façam jus à teu nome,
Derivado também da luz, como aquele que à muito despencou...
Fora derrubada por minhas próprias mãos, nuas
E agora agoniza em gelo e rezina.
Quanta culpa toma meus ombros...
Sem vestes de prata.. Como pude?!
Que os anjos façam jus à seus nomes,
E eu farei também ao meu.
'Sonhos pardos, sem contraste?'
Cala-te! O riso que ecoa é minha resposta...
Em uma pequena sala cabem muitos espelhos
E deles ecoa o discurso de um falso profeta:
"É dever de todo cidadão de bem pisar sobre a cabeça dos opressores,
Nós, íntegros e livres, como verdadeiros Filhos de Deus
Devemos nos vingar daqueles que trazem consigo a miséria!"
Sinto-me patético... Anseio que a espada vire-se contra mim..
Oro para que meus amores tenham punhos firmes..
Sinto cheiro de carniça logo cedo, e constato:
"É de meu corpo que exala"

domingo, 7 de outubro de 2012

Dezesseis Dias

Dezesseis dias de Césio 137
Torturando os ossos,
Queimando como Napalm,
Destruindo os filhos..
Retorcendo suas pernas, dobrando-as,
Tornando-os monstros inócuos,
Anomalias deformadas.
Dezesseis dias de Césio 137
Tempo o suficiente para
Homenagear o demônio,
Dar recado dos homens para Deus,
Batendo forte nos peitos,
Iniciando uma briga destrutiva.
Dezesseis dias exposto ao pó azul que brilha
Mais que a própria Ketamina,
Exposto ao câncer do câncer,
À cura para a vida.
Dezesseis dias de maldição..
Entupindo os pulmões
Derretendo casas e ferros-velhos,
De olhos fechados para as crianças
Negras, malditas.. Pobres.
Dezesseis dias de Césio 137
E seja Bem vindo ao reino dos desfigurados.
1987, Bem vindo ao mundo dos mortos.

sábado, 6 de outubro de 2012

Era pó o que sobrava dos dias.
A carne e o osso definhavam
E sobre eles cobria a praga;
Sobras do verme e do vírus.
Éramos muitos e muitos que éramos,
Já não olhávamos uns para os outros.
Éramos muitos, os que já não viviam.
As fantasias dos homens dançavam
Corriam, fugiam, escapavam das mãos..
Só o pó sobraria.
Ficaríamos por ali, à almejar migalhas,
Sorrir de forma forçada,
Escapar de trilhas de areia..
Seriam méritos, casas de palha,
Frágeis até mesmo para leves brisas
Em olhos vermelhos de tanta cólera..
Em pó a morte cairia dos céus..
Ícarus dos próprios demônios,
Césio para nossas almas..
O mesmo pó de que os dias são feitos..
O nada.