sábado, 31 de dezembro de 2011

Sim, eu já estive aqui!

Agora eu vou mudar de vida.
Decidi que realmente vou me renovar no ano que vai vir
E que a virada do ano vai ser melhor do que qualquer coisa que já aconteceu na minha vida.
Mentirinhaaaaa!
É não vou, tá uma merda como tá, melhor não tocar pra não desmoronar em cima de mim.
E que venha o fim do mundo, que essa Terra já tá velha!


"Tarde Demais pra se arrepender
Tarde demais pra voltar atrás
Tarde demais!

Todas suas escolhas
foram as piores
Tudo em que acreditou
Era uma mentira
Agora está velho
Sem forças pra mais nada
Não fez nada de bom
Desperdiçou sua vida"



Para refrescar a memória dos anos anteriores:

http://artedosfracos.blogspot.com/2009/12/o-ano-novo-e-vida-mediocre.html

http://artedosfracos.blogspot.com/2011/01/ano-novo-de-novo.html

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Onde Vivem os Humanos

Garotos imitando cachorros,
Notas de fuga ou suicídio em mesas de jantar
Outrora esquecidas por suas cores deselegantes.
O que há para me alegrar esta noite?
Sentar aos pés das cadeiras,
Como um gesto de piedade sem fim
Ou rebeldia em uma forma irônica.
E o que há por detrás dos montes,
Daquelas histórias de aventuras marítimas,
Eu nunca vou mesmo saber.
Não sou aventureiro da manhã,
Nem há nada mais à ser descoberto.
Alegorias de cabeças enormes,
Àqueles grãos congelados em neves fictícias
Todos já conhecemos as inúmeras faces da mesmice.
Desejaria-te uma mãe, para esta noite,
Chorando e de braços abertos para tua chegada,
Coberta da pele de outro animal qualquer;
Como um garoto imitando um cão,
Ou como coelhos com olhos machucados.
Mesmo assim, querida, devo partir,
Mesmo que precise de um abraço,
Mesmo que me falte ânsia de viver,
Devo construir uma grande fortaleza;
Vou unir todos os meus amigos,
Para só depois perceber que estou sozinho;
E então estarei pronto
Pra enfrentar os dias tal como são;
Monótonos, tristes, solitários...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Valsa

Cravamos os nomes em árvores altas e inertes
Enquanto entre a neblina, a cidade desaparecia em cinzas;
Caminhamos por parques inabitáveis
Almejando nunca voltar a viver em casas solitárias.
As mães em véus negros nos aguardavam aos prantos
Mas sem que suas preces fossem ouvidas.
Nossos erros eram, agora, irreparáveis
Partimos sem volta, partidos ao meio.
Todo sonho haveria de ser enterrado,
E toda guerra cessaria em instantes
Por sermos um e dois à deriva e deitarmos lado a lado.
Em grupos, mímicos invadiram as ruas,
Em vestes sem cor, dançavam tristemente.
Segurando firme nos braços da coragem
Saltamos da maior ponte já construída,
À fim de jamais regressarmos à mares tortuosos.
A chuva haveria de lavar o coração das ruas
E novos caminhos nos seriam traçados.
Garotas habitavam as escadas dos edifícios,
Observavam de baixo as solas de nossos sapatos;
Vidas verdes e bondosas às seriam dadas,
Sob a luz da beleza de jasmins outrora esquecidas.
Outro inverno inglês se prostrava sobre nossos cabelos grisalhos,
Nos sentamos à varanda, para observar o fim das flores;
Nossos corações batiam murchos na noite infinda,
Mas completos por termos vivido ternamente.
Os insetos se descobriam entre frestas na madeira,
Nos cumprimentando e saudando nossas existências...
À limpas vestes e espontâneos bons modos,
Saboreamos ao lado deles a última ceia;
Aprendera a ser homem com os lobos lá fora,
Agora, deixaria que a vida dançasse comigo uma última valsa.

"So you come up to me and spit right in my face
And I didn't even feel it, it was such a disgrace
And I punched my fist right through the glass
Well, I didn't even feel it, 'cause it happened so fast

Such fun, so fun, fun, fun... Real fun"

Melancholia

Somos todos essas malditas marionetes;
Curvam-se as estátuas à nossa passagem,
Entoando cantos de derrota e requiéns;
Somos também pó de seus escombros.
O destino então nos deixa sem rumo -
Morando em estruturas ocas
à deriva de uma corrente que avassala
Todos os desejos mortos na "Belle Époque"
(O auge é sempre nos dado em forma de passado).
E as estátuas à que chamamos tolas e,
Frias por não se moverem,
Riem das alturas por não enxergarmos mais
Nenhum caminho coerente a seguir.
Ladeiras, derrotas, frustrações
Todo o lixo meticulosamente guardado
Dentro das costelas cansadas de nossos pais,
Agora despejados sobre nossas cabeças tortas.
E toda visão embaçada da fronte,
Fins de semana chuvosos em sua cidade natal,
Tão bem gastos quanto as moedas enroscadas em bueiros esquecidos,
Agora são só devaneios que se foram,
Quais aquelas quimeras da infância,
Onde as dores dos adultos,
Eram moscas presas em teias de aranhas assombrosas.
Me sinto perdido, totalmente deslocado,
A melancolia sempre deixa o amargo das cinzas na língua,
e a correnteza das sarjetas leva consigo meus sonhos;
Meus olhos no meio-fio esmagados, incapazes.
"Vamos lá, garoto! Vamos nos divertir, esta noite,
Nossa juventude descartada em maços de cigarro
E entorpecida em destilados baratos!"
Convenhamos,
Não se dá ouvidos à uma maldita marionete.

"Walking down another cold dark street
I'm waiting for dawn...

..The heat from the sewer gate don't warm my bed
The snow ain't cold anymore,
Feet are so cold from the holes in my shoes
The churches locked up their doors

But i don't care, go and push me away
You can't hurt me anymore..
Not anymore"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dança Tonta

"Não quis passar a minha mágoa,
Embora não pudesse evitar
Bouquet de vinho, mas gosto de água
Nó em minha garganta que as horas
Não conseguem desatar, não..

Não foi preciso consolo,
Pois me senti tão tolo depois de chorar
Gosto de nada na boca,
Somente a raiva que sentia
Me faria mastigar

E por mais que eu fique tonto,
O mundo insiste em balançar
Por dar corda nos meus sonhos,
Mal pude acordar

Por um momento te amei tanto,
Momento de tormento
Mas agora nada tento, por enquanto
Espanto em achar

Um ponto de beleza
nesta irônica era de incerteza,
Achar.. Um ponto de beleza
nesta irônica era de incerteza...

E por mais que me doa a decisão
De saber o que sinto,
Minto, finjo a cada Sol que não vejo nascer
Nem se pôr,
Suponho que os dias tem passado
Mais rápido que o esperado
E quantas vezes dormi do teu lado
Ou me esqueci de teu rosto...
Mas meu desejo, não era sua vontade
E a mão que me afagava é a mesma que me afoga..."

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Oco

Tomo-te por minhas dores,
do ventre, morto o caule,
Tomo-te por minhas dores.
Cegos sentimentos me cobrem
Enquanto me deito aos prantos.
Como minha mãe, faltaste-me em tudo,
Como pai mataste minhas alegrias,
Solto, nada me resta,
Como prêmio ou por piedade.
Ó! vida, Ó! Cruéis dias!
Que passam-me desapercebidos,
Voltem pra ver teu filho
Andar por trilhos tão tortuosos.
Amar é doar-se, compreenda-me
E o vazio arranca-me os pedaços,
Não me deixa à sorte ou ao surto,
Aqui não há colo que me acolha prontamente;
Aqui é só frio e solidão,
E a fronte banhada a drama;
Ungida da dor de meus dias,
Tão secos, esquecidos e inúteis.
Acabei-me aqui em meu quarto,
E nas calçadas destroçadas das ruas.
Acabei-me aqui sem sombra,
E sem sombra de dúvida.
Entre os cães hei de sentar, certamente,
Compartilhando sua vida sem rumo
E com eles hei de comer o banquete
Esquecendo-me de como é ser humano.
Agradeço-te e deixo tudo aquilo
que conquistei em minha vida breve.
Ficam meu adeus e meus pêsames,
Pelo garoto que aqui morava.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Limbo

Passada a hora do fim, observávamos um animal morto,
Vestidos com lama e munidos de sorrisos de palha.
-Queria me rasgar de dentro para fora
Disse ele;
- Não te amo mais - Ela respondeu;
Ininterrupto, ainda o discurso, continuara:
-Quero ver meus rins apodrecerem,
Enquanto meus verdadeiros músculos rasgam a pele,
E então, quando meus líquidos negros
finalmente escorrerem pelo abdome,
Irei correr o máximo que puder, até os joelhos partirem ao meio,
gritando o nome de Deus aos quatro ventos e rindo,
Cuspindo para fora de meu corpo oco a alma,
Engasgando em minha própria mesquinhez;
Observarás, Ainda de cima,
Com toda sua maldita graça de anjo arrogante
Rindo de minhas fraquezas,
Mas eu e minha baixa cabeça já estaremos enterrados.
-A última e mais tosca piada sem graça que sairá de tua garganta nojenta.
Então é sobre isso que você retrata,
em qualquer palavra de rancor e inferioridade que ousa em chamar de arte?
-Vocês me tratam feito uma criança deficiente
porque são incapazes de entender a mordaz dor que me aflige;
Não tocam minhas mãos magras, consumidas e frias
Quando meus medos dançam na podridão de meu quarto
E ainda cobrem-me com lençóis fedendo a cigarro barato.
Agora saia de minha casa e me deixe em paz;
Para que eu possa apagar a chama de vida que ainda mora em mim.

"Gotta give up on this netherworld
Gonna go up where the air is stale
And live a life of pleasantries
And mingle with the modern families

..This Limbo is no place.."

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Lágrimas de Inverno

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Sejam bem vindas as lágrimas
Para o espetáculo que é a noite;
Que me façam solidária companhia
Em solitário claustro que me guarda.
Os próximos agora distantes,
Pelos próximos anos que aguardam
Meus dentes cansados de ranger
De bater uns contra os outros dentre pesadelos.
Devaneios dominam minha mente,
Ainda não sei fazer música,
Quase todo dia vejo teu rosto,
Tão distante quanto a infância
Bela pela inocência, pela falta da dor,
Pela não-angústia, pela espontaneidade;
Admirando-o por ser belo e triste.
Falta em meus braços companhia.
Faltam em meu rosto sorrisos?
Jamais! O vazio é suficiente,
Por apetecer tão sinceras lágrimas.
Espero que lavem meu rosto,
E que nelas reflita o futuro.
Em sonhos banharão também de alegria a vida;
Olho para todos os lados,
Me apaixono, as vezes, por qualquer garoto,
Mas admiro você, ainda,
Por perder com tamanha graça,
Que pobres de espírito se engasgariam.
Admiro você ainda, depois de tantos anos,
Por lágrimas de beleza aquela,
Que medíocres como eu jamais chegarão perto
De saber como é tocar com seu pobre calor humano.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Solitude

"If you look, you'll see that
I'm a lonely one..

Lost my soul deep inside,
And it's so black and cold..

The sun won't shine,
The wind won't blow
Alone, deep inside.."

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Isolamento

Cortai o mal pela raiz.
Cortai pela raiz a alma
Arranca-a de dentro,
Com calma e olhos abertos.
Presente o desespero,
Nos Suicidamos num impulso de Vingança,
Fizemos de nós os assassinos de nós.
Ânsia de justiça, ou de vômito, de que importa?
Sejamos, agora, os vermes na carne.
Apodreçamos, deixemos os ossos pra trás,
Apodreçamos, abandonemos nossos pulmões.
Faltava a Fome, Faltava o Ar,
Cai para aprender a vida.
Cai para aprender a maldita vida.
Meu medo nasceu da calma,
Do desespero que a calma possuía,
E a calma possuída me lançou ao abismo.
Em queda, ainda, desertei meus traços
[E os braços, E os Escassos Abraços].
Meus tímpanos não suportaram,
Sangram-me nos travesseiros até o presente momento.
Me escondi, embora esteja vivo,
Me refugiei,
Onde os pássaros se abrigam quando tem as asas arrancadas;
Mas não venha me buscar, nem bata à minha porta,
Agora, não quero mais nada que venha de fora,
Só quero que me deixem descansar.


"Some people get high,
With a little understanding

I want More!
And I need all the love that i can get to.
Do you get scared to feel so much?
To let somebody touch you?
So hot, so cold,
So far, so out of control"
Que aperto no peito...
Tudo parece que vai desabar,
E com o mundo, meu coração.


Estou cansado; Queria pedir perdão pro mundo,
Acho que fiz algo de errado -
Talvez eu tenha traído vocês, talvez eu tenha feito isso.
Toda porta que eu entro, é uma pedrada que eu levo.
Eu ando pra frente, e o chão é uma esteira;
Eu volto e volto e volto.
Eu me levanto de um tombo, alguém me puxa pra baixo;
Viro o rosto, pra outro tapa.

Eu não fiz nada pra vocês, por favor.. Me deixem em paz.
Por favor, eu imploro! Por favor...
É sério, por favor. Parem com isso, dói de verdade...
Por favor... Por favor.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Seu Ódio Me Sufoca

Estou enclausurado,
No meu quarto, no meu corpo;
Preso.
Atado à existência mediocre em que me encerro
Vocês sabem como me sinto, não é?
Não... Eu sei, pra vocês é fácil,
Quando cospem o seu ódio em meu rosto desfigurado,
Quando apagam o cigarro em minhas feridas,
É em mim que vai doer, no final, só em mim,
Vocês estão tão satisfeitos...
Coloco um sorrisinho na cara,
Bem pintado de amarelo, e abro a boca em sangue,
Com os dentes apertados faço um último pedido
"Morda a maldita lingua!"
E o teto vem desmoronando, e a chuva lava a alegria,
E choro olhando pela janela as pessoas passarem;
Como é que são felizes? Como é possível?
Meu olhar perde o foco, caio de joelhos;
Sonhei um fim magnífico com fogos de artifício!
É isso que vocês me dão.. Mesquinhez, egoísmo.
Deito meu corpo, exausto, doente, esquálido;
Deito meu corpo, não suporto o peso;
E tudo que conquisto é mais uma derrota.


"So, Please, please, please
For once in my life
Let me get what i want this time.."

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sobre Borboletas

"Ouvi dizer que borboletas vivem só um dia, será que é verdade?" -
Ela lhe pergunta.
"Não sei, mas elas vivem para o momento em que serão borboletas,
Então não é necessário que o sejam por muito tempo, tendo alcançado o ápice de sua existência, acho que é isso"
Ele se sente esperto.
"Queria ser uma delas.."
"Você é a minha borboleta, por essa noite, e é a mais linda de todas"
Ela sorri.
No fim do dia ele sabe que ela se vai; Sorri, mas chora por dentro.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A Mosca

Por favor, corte-me em pedaços,
Eu não suporto a dor de estar inteiro.
Não voltarei a sorrir, por isso quero sangrar.
Sem ações ou braços, sou um inseto maldito,
Agora, arranque-me a cabeça.
Insetos nunca aprendem a viver,
Vivem pouco demais...
As asas da mosca estão cortadas.
Desde quando?
Não voltará à voar;
Jaz no chão meu corpo;
O fim é o inverso do começo;
A dor é o inverso da existência de algum afeto.
Que o mundo se cale!
O vazio é infinito.



'Alegre-se, minha ave!
Voe livre, voe bela... Só voe..
Há de alcançar os Céus!
Só, há de alcançar seus sonhos...'

sábado, 22 de outubro de 2011

Infrutífero

Infrutíferos...
Nossos olhares.
Preces católicas,
Deficiências cruzadas;
Um garoto surdo
Em teu útero seco.
Tuas mãos gélidas
Tocam minha face descrente,
Já estamos velhos
e teus dentes
Ainda cravados em meus ombros.
Correm os ventos
Insatisfeitos...
A união de nossos passos
Em praia alguma
Em oceanos não desenhados,
Ou perspectivas cegas;
Praia alguma.
Meu coração tão poluído
Quanto as veias em teu peito.
Tua piedade me castiga,
Teus cordões umbilicais me sufocam
Dou a outra face,
Por uma espécie distorcida
De orgulho e de estima;
Mas ainda clamo:
'Salvem-me! Salvem-me de mim!'


"As the cowboy turns the gun to himself and sing: 'No one's alive' "

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Jaz no chão o corpo da mosca

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O Amigo Imaginário

Como um amigo imaginário, antigo,
Me olha da cabeça aos pés.
Porque me criaste como tal alegoria sádica?
Deusa de meus passos,
E dona de todas as pedras no caminho
Que insisto em nomear Angústia,
À imagem de que demônio me fizera?
Ensina-me milhares de coisas em segundos,
Enquanto percepções se perdem
Como se o tempo fosse metáfora para
Todas aquelas tendências tão inalcansáveis,
E,
Enquanto minha visão corre o chão da sala,
Por minha postura ser baixa e depressiva,
Eternos dias se passam;
Infinitos pássaros tomam os céus la fora
E as nuvens tão cinzas;
Sem que seus lábios se abram num gesto sincero,
Seu coração se recusa a bater uma vez mais.
Fita meus olhos:
"Porque mesmo é que estamos aqui?"
"Não sei..
Nem ao menos sou membro ativo dessa conversação.
Me criaste um péssimo amigo,
Exceto pela parte do imaginário."
Abro a porta e saio;
Ou desapareço como fumaça.

sábado, 8 de outubro de 2011

Sobre Cânceres e Abraços

"-Mova os braços!
-Me motive!"

Lembro de dias em que admiravas minha arte,
E agora, já não lhe espanta meus castelos de argila.
Frágil corpo, frágeis abrigos - Desmorono.
Mas olha só, vermes por dentro de sua tez!
Posso ver, posso enxergar com clareza inigualável!
Deixaste que Demônios te dominassem o estômago
Como os dias em que estivemos no frio sem cobertores,
Sem dividir nosso calor corporal.
Quais sensações horríveis nestes dias, não?
E hoje quando acordei, me senti tão só...
Tens um abraço ai para um velho amigo?
Oh não! Ocupado e de bolsos vazios?
Mas que lástima, meu irmão, mas que lástima!
Paga-me então o cigarro que me deves;
Porque hoje a luz da lua está tão ofuscada
Que não enxergo um palmo à frente do nariz..
Serei eu um daqueles mediocres mesquinhos?
Olho pro céu e já nem há lua. Serei eu um ser deplorável?
O céu é grande demais para minha arte.
Não há horizonte que o alcance!
Mudei muito, não foi? Mudei muito.
Coloque só a mão no câncer e sente minha maldição,
Muitas mudanças...
Sou um monstro infertil, já sei.

"- Mova os braços! Mova os malditos braços!
Faça ondas, como quando era criança e Sonhe!
Mova os malditos braços.
Oh! Já não os tem?... Oh..."

domingo, 2 de outubro de 2011

Entre Voar e Ser Pisoteado

"Estamos tão distantes agora"
Sopram os ventos em meus ouvidos.
Ares de indiferença, ares de descrença.
Cada horizonte é um pensamento,
Cada pensamento é uma ilha.
Isolada; Nada pacífica...
Os lábios se tocam sem ardor,
E o sangue escorre pelas pernas, antes arrepiadas.
Quebrados e jogados ao chão - Veja só;
São nossos corpos,
Sem fagulhas de emoção;
Sem espontaneidade nas palavras.
Cadáveres inamáveis, sem filhos para acolher.
Hajam covas para nossas mil mortes!
Já não domas teu corpo.
Já não domino meu destino.
Não mais acolherei pássaros feridos pela chuva;
Já não sorrirei para o Sol num abrir de janelas;
Matei nossos filhos, abortei meus sentimentos,
Agora, por favor, cubra-me com terra.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Em Setembro

Ontem se foi um grande, muito grande ídolo.
"Os homens podem ser calados, mas não as ideologias"
E a mensagem se espalhará por tempos e tempos.
Em setembro, como previa, o Fim chegou para Edson Pozzi.
Grande, talvez o maior de todos!

Paz, provavelmente sua palavra favorita, é a que deve reger as nossas vidas;
E que ela o tome no colo.
Paz, querido, paz!

Tristeza toma o meu coração.
Sem mais palavras, meu Adeus.


O punk está morto.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Diálogo dos Empregados

Desculpe-me, velho senhor
Por não poder conversar,
Mesmo que com ardor
Insistas em discordar

Daqueles meus argumentos
Dignos de risos infantis,
E meus mesquinhos tormentos
Criadores de uma arte infeliz

Antes me apetecia chorar,
Amar foi de meu agrado;
Mas todos têm que trabalhar,
Sentir é arte de desempregado

Mas antes que vá, senhor,
Te falo com toda certeza:
De todos sentimentos, a dor,
É o que vê com maior clareza

Vê só como amava os cães!
Vê só como sabia sorrir!
Agora clamo por mães
Tais quais jamais conheci

A arte, da tristeza brota,
Como um grito desesperado;
A existência em si, é derrota
Aceito-a assim, de bom grado.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Nos Braços da Queda e da Despedida

Por favor, garota, me segure
Quando em queda livre me veres;
Não sou livre nem para que caia,
Pois não mereço que o chão me atinja.
Braços firmes para a despedida,
Braços firmes e laços fracos, garota.
Amigos mortos, ou apenas em potencial,
Essas coisas que não importam quando nos sentimos só.
Não sei falar de amor, mas, juro:
A queda é gloriosa arte!
Aos anjos não mais apetece; Me importo, juro!
Por isso são anjos, dirias -
Ou só por terem asas mais fortes que as minhas.
Mas garota se olhares firme em meus olhos
(Ainda que fosses capaz de ver através deles)
Nada poderás ver, se não minha alma tosca...
Mas não hoje, pela tarde, ao som daqueles antigos vinis,
Mas não hoje, enquanto saboreio meu café;
Não falemos mais de corações impuros!
Vamos agora cantarolar a vitória dos gloriosos;
Cala-te! Esqueça os pobres de espírito como eu,
Vamos celebrar a vida e mendigar por um mísero cigarro em mãos;
Uma derrota na vida já me basta e,
essa conversa mole, por vezes adoece até os mais fortes.
Não sou forte, isto me recorda, mas
Talvez você, com tua gloriosa imagem, o seja.
Você com tua imagem e corpo tão firmes,
E teus braços, teus braços nos meus como naquelas outras noites.
Que noites; De frio tão mais belo que este de queda livre...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Lama

Tentativas de se levantar da lama.
As cores, com a vida derretem
e as aranhas sobem a pele
Tecendo a insanidade; cravando no sangue
As memórias dos sonhos mortos.
vidas inúteis e sem sentido que nós temos:
Ver os desejos e amores
Escorrerem pelo ralo com a sujeira
E não poder fazer nada.
Se um dia fomos enganados
Como podemos acreditar novamente?
Se um dia fomos enganados,
Nada mais resta, apenas este pesadelo.


[Postado no começo de 2009, creio, modifiquei muito pouco. Achei e gostei dele]

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Nos Olhos do Garoto Morto

Contempla a Solidão com olhar sempre triste;
Por trás dos campos da vida, nasce uma noite de morte,
Isto é tudo que o garoto agora enxerga.
Sentado ao lado de cães e criaturas vis,
Mastiga o alimento de aspecto funesto,
Tentando saborear algum gosto em estar frente à frente com a angústia.
Tais visões do inferno, tais paladares tão horrendos
E agora esta Areia cortando as pálpebras...
Ó, Garoto! Queres mesmo acordar?
Lágrimas para o fogo que habitava os olhos,
Seres malditos à salgar sua alma descrente
Em um dia em que haverá uma razão para erguer a cabeça.
Contempla os sonhos como cadáveres nunca vivos,
Estiveram um dia tão frios quanto hoje?
Houveram dias ainda mais tristes que estes em que vive?
Deus sequer criou ser tão vazio quanto!
Sequer nasceram epocas de lábios tão secos e rachados!
E que rissem da criação de Deus, e sangrassem por existir tão humanos.
E nem vento vem soprar a poeira nos vãos dos ossos;
Nem tempestade limpar o sangue dos dentes;
Dos olhos alertas para ameaçadoras quimeras.
Quimera de ti é tu mesmo, garoto! Antes tua matéria putreface,
E caissem ao chão seus dedos duros se contorcendo!
Ó, olha só! Se foi aquele garoto...
Teias de aranha agora cobrem seu espírito inabitável,
E de cima das covas, mães cegas ainda gritam, aos prantos
Ó! Garoto Morto! Volta à Sorrir!
Ó! Garoto Morto! Volta à Andar!
Ó! Garoto Morto....

sábado, 10 de setembro de 2011

A Queda [Fall]

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Vindo do Sul, chega inverno
Frio intenso e nada terno
Mas a copa em pé se faz

Enfim outra primavera,
Frutos e Flores a mãe gera
À ela, o verde satisfaz

Um verão em labaredas
Sua queda inda planeja,
Seu calor é incapaz

Vem outono outra vez,
Queda de antigos reis
Com seu laranja mordaz

E a árvore não resiste,
Deixa que ele à conquiste
No laranja encontra a paz.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Outono [Autumn]

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Quando o forte outono cobrir
Fiel em suas emoções
Com manto laranja os campos seus

Uma árvore há de resistir
Imune à queda de estações
Como a ascenção de um calmo Deus

Suas raízes hão de Nutrir
O frio inverno à ruir;
Sol algum e seca terra

Seu tronco ansiando firme
Que o estio sem fim termine
Fará nascer a primavera

O verão que no tempo ruma
Não trará as folhas cor alguma
Por ante a reforma se prostrar

Animais tolos não entenderão
Novos galhos se estenderão
No fim; seu verde há de reinar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

À um Coração Divino

Não posso dizer que te amo
Sou anjo de amor abjeto
Como aqueles demônios nefastos
Em seus ritos de desafeto

Tu és minha Deusa sublime
Tua existência ao mundo enobrece
Traindo-te firo à mim
Minh'alma é que padece

A dor mais forte inspira,
O amor mais forte; mata.
A paixão mais forte é um elo
A traição, sem dó, o desata

Rogo à ti, minha Deusa
Por teu amor altruísta
Meu coração, apesar de mesquinho
Será sempre monoteísta

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Coração de Granizo

Chuva de granizo caindo cedo, olho para o horizonte,
Onde jás sua casa coberta de nuvens cinzas, quiçá fumaça.
Sento-me ao chão para sentí-la.
Quero sentí-la caindo em meu corpo, pois a amo.
Sou humano... E como é ser imperfeito?
Ser você por completo, quando se é
Um verme que trai os próprios sentimentos.
Que se alimenta do cadáver de sua amada e, por culpa,
Esmaga seus orgãos vitais?
Culpa é o cárcere de nosso próprio pecado,
Quando não conseguimos nos olhar na cara,
Tamanha quantia de pus que nos escorre dos olhos em frente ao espelho.
Ter instintos; Como um cão que cheira o próprio ânus.
Ter a tez quente e o coração frio.
E assim é que me sinto. Traidor de meus sentimentos.
Amo sem gesticular. Ajo até como quem odeia.
Mas não imploro por perdão, pois sei que seria injusto.
Não mereço nada que venha como um sublime abraço teu.
Imploro por punição,
Pois odeio-me e não consigo pisar em minha própria cabeça.

sábado, 20 de agosto de 2011

Sublime Chuva

Aguente firme,
Quando a chuva cair para redimir os pecados, tudo há de melhorar.
Viver de ilusão.. Que lástima! (ou de passado)
Ou chorar as lágrimas de cães que ladram de madrugada, pelas ruas;
Animais desgarrados, perturbando o sono dos justos..
Aguentar a pressão nos ouvidos
Quando onda bate forte contra teu peito,
Quando parece não suportar mais nada novo que apareça.
Estamos velhos, mas jovens demais para um primeiro beijo;
Dar as mãos para atravessar a rua, com medo,
E saber que há muito mais sangue para doar, ou perder,
Nas guerras que travamos por pequenas conquistas.
Com vestes para algo grandioso - Uniforme -
Nos preparamos para aprender algo que não nos interessa,
E depois de tanto tentarmos viver,
Fitamos o espelho e nos preparamos para dormir, sem sono.
Dormimos até que bem, como crianças ou "pedras", diriam..
E vivemos em sonhos que pelo fim da manhã vamos esquecer.
Pagamos o preço; compramos vista para o centro da cidade;
Para perder nele os sentimentos de cada dia que suportamos;
Mas aprendemos a aguentar firme,
E esperar que a chuva caia novamente para nos libertar;
E isso é o que nos faz acordar para um novo dia.

"Sua cabeça dói e um dia vai estourar
C'oessa rotina, rotina...

Até quando ele vai aguentar
Essa rotina?!"

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Cansado / Multidões

video

Afogando-me em tristezas
Ou cospindo sangue pelo nariz
Encaro o espelho.
Podre por dentro,
'coração envenenado'
Me perco em um quarto escuro.
Abusando daqueles destinos,
Pegando-os todos e contorcendo
Transformando em uma arte mal-feita
Ou em uma imagem abstrata;
Este sou eu fazendo algo de útil da dor.
Minha face não tem vida.
Deito-me em minha cama fria,
Aqueles cobertores não esquentam mais
Meu corpo tão sem preenchimento,
Aqueles lençóis agora fedendo à suor noturno
Já não acomodam mais minha cabeça,
Nem a matéria que sou, ante toda essa incerteza.
Quando judas me pegou pelo braço
Pra me levar pro topo da montanha,
Pra me mostrar o mundo que lá em baixo se decompunha;
Eu urinei em meu corpo,
Me cagando para suas escrituras tão infantis,
E suas profecias fúteis.
Mas, quando olhei novamente para aqueles edifícios,
Meu corpo caiu, se debatendo bruscamente pelo calvário, até me recordar
De todas as cruzes que carreguei por culpa do vazio.
E de todas as mentiras que não contei para Jesus
Por não reconhecer sua face embaçada em meio às multidões,
A pior foi dizer que está tudo bem comigo,
Porque nunca esteve.
E bem no fundo dos meus olhos,
Tudo que sinto é pena de mim mesmo, por nunca ter tido
Chance de dizer para Ele o quanto me odeio;
Chance de dizer para mim uma vez que algo vai dar certo,
Porque os sonhos nunca se realizam no final.
Rasgo as vestes, tão traidor,
E me desprezo, porque não mereço nem seu cuspe em meus olhos;
Então deito meu corpo sobre a cruz,
E espero que venham os soldados
E o Pecado me tome por completo..
Estarei aqui, para roubarem de mim tudo o que tenho,
E então vou embora...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

À Sós

Estamos à sós agora
Sombras do passado nos atormentam,
A grande depressão cai dos céus
Partindo os edifícios ao meio.
O gato sai da caixa,
Arrasta as patas como quem deseja caminhar..
Seus olhos tão tristes,
Me recordando os meus próprios...
De que importa o apocalipse para ele?
Seus lábios clamam por algo maior;
De que importa a tristeza pra ele
Que arranha o próprio corpo, debilitado?
Os anjos que dormiam no esgoto, acordam.
Um garoto de pele encardida,
Querendo desistir de tudo
Me encontra em alguma esquina.
Só mais um garoto,
Mesmo sem face, tenta me dizer algo
Mas nenhuma palavra sai de sua boca.
Estamos à sós agora,
Na sala, me pede perdão
Por pecados que eu mesmo cometi.
Cai no chão, à minha frente
e se debate, sem cessar.
De que importa o apocalipse,
Para tais espécies de animais sujos?
Caio também, um boneco esquecido no tapete;
e choro lágrimas que não possuo
Vislumbro paisagens que não frequentei...
Um vazio próprio dos pagãos;
Choro lágrimas que não possuo,
Enquanto na lareira ardem meus sonhos
Embrulhados em belas fantasias
E eles gritam e gritam e gritam,
Sua tez se desfazendo aos poucos..
Mesmo a existência mais sublime
É um pedido por piedade divina.
No fim é que tudo perde o valor.
E tudo isto me vem à cabeça,
Como vozes que não consigo emudecer.
Elas vêm, mas depois me deixam só.
Todos mortos, me deixam solitário.
Estou sempre à sós com a grande depressão.
E se bem entendo da vida que levo,
Todos desistimos no final.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O Deus de Minhas Noites Solitárias

As cortinas se fecham nos horizontes.
Pelas ruas cheias de cadáveres, a angústia se arrasta, como um verme em meio aos vermes - Está nos olhos dos cães, nas faces sem vida, nos corpos pálidos e estirados.
Intenso e sincero, o frio da noite arde para além das portas trancadas de minha casa, até romper suas estruturas.
Um vazio repentino toma meus contornos, estraçalhando-os;
Seus cacos se espalham pelo chão, enquanto uma presença sorrateira percorre os corredores até chegar ao meu quarto.
Um espírito desgarrado de essência ou substância - Nascido do lodo imundo d'onde brota todo tipo de praga.
De dentro para fora, sua maldição se prostra sobre meu destino.
Minha alma reflete toda a miséria e o vazio de ser um humano.
Cada migalha de minha matéria toma sua forma; Sou agora a Sombra de seu Vazio, Reflexo de sua Ausênsia.
Suplicando alegrias maiores, ou alívio eterno, minhas mãos não existam em sufocar-me.
Como o desespero de um inseto insignificante, meus últimos suspiros se dão em inúteis apelos por piedade, ou paz.
Em minha cama solitária, meus lábios sangram, sentindo pela última vez, o amargo gosto da derrota.
As cortinas se fecham no horizonte.

terça-feira, 19 de julho de 2011

"Sharp and Open, leave me alone and Sleeping less every night, as the day becomes heavier..."


[Poderia ser meu post mas inútil.
6:45, boa noite ou bom dia?]

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Marina Pedersen

Mais um texto que não é meu,
Tem se tornado comum, não?
Bom, ter amigos escritores não é fácil! (tá tá, Bruno).
Nem preciso dizer o quanto essa pessoa é especial para mim e como fez e faz diferença em minha vida..
Só eu e ela sabemos (hell yeah!)
E escreve maravilhosamente bem!
Vamos ao que interessa:


"Mataste nossos filhos
Mataste-os antes que
Teu útero maldito pudesse
Carregar a fagulha mínima
Da esperança de nossas longínquas aspirações

Os fetos nunca concebidos
Sem vida antes da vida
Despedaçados na não-existência
E o que sobra é o que eram: desejos vagando
Em minha mente agora conturbada

Filho que perde o pai,
Orfão.
Pai que perde o filho,
Condenado a (con)viver com
A lembrança do que um dia fora a segunda chance
De fazer valer a dor do parto,
a dor de duas vidas sem alicerce.
Pai que perde o filho que nunca teve,
Assombra a si mesmo com hipóteses mortas
Da suposta concretização de seus sonhos"
Marina Pedersen

[Não tem título, e é carregado de uma parte ruim minha, mas é maravilhoso demais!]

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Os Porcos

Difícil
Se ver diariamente em meio aos porcos
Rastejando pela lama, em busca de algo;
Algo que tenha valor, neste lamaçal.
Tentar se enturmar, se sentir bem,
Pertencer.
Olhar sua face no espelho
E por um dia - Só por um maldito dia -
Tentar sorrir por não estar morto.
Mas não... Quem dera estivesse!
Difícil.
Os dias se arrastam como serpentes maliciosas;
Com sua dança repetitiva, ludibriam a realidade
E os sonhos, um por um, se exitinguem.
Através do tempo, fracasso incessantemente.
Caio à todo instante, de joelhos
No pó dos ossos de meus ancestrais
Tão mortos quanto aqueles sonhos de minha infância.
Me vejo orfão de minha própria existência;
Estou perdido mais uma vez na trilha...
Trêmulo, em desespero, sem ter para onde correr
Procuro, em agonia, uma saída.
Procuro me levantar do quão mesquinho é
Coexistir com o mais puro e malcheiroso esterco.
Já não me encaixo mais nesta vida;
Na vida que meus ancestrais levaram.
Desejo fugir.
Rasgar este horrível figurino de porco
Em que me vejo envolto.
Desejo fugir.
Com todas as minhas forças, correr.
Mas olho para mim com desprezo
Quando vejo que vou ser sempre este maldito porco.
Arranho os punhos, mordo os lábios, até sangrar
Torcendo para que Deus rasgue os céus
Acabando com tudo. Acabando com essa dor.
Difícil, quando se é um porco, acreditar em Deus.
Difícil.

terça-feira, 5 de julho de 2011

De Joelhos, à Beira da Praia

Eu sinto muito, mesmo.
Sinto pelos dias em que deixei
que as águas do medo te engolissem
E à vi afogar, de longe,
Ainda com aquele desejo estranho nos olhos
De naufragar e nadar com feras aquelas
Enormes como as angústias joviais
Que atormentavam tua rara felicidade.
'Tudo há de perecer'
Me disseste naquele dia,
Afundando a cabeça dentro d'água,
Até que seus pulmões ficassem insuficientes.
E as lágrimas cobriram meu rosto infiel,
Ao ver teu corpo estático
"Acorde, querida! Acorde!"
"Eu imploro!"
Inutilmente supliquei, enquanto à olhava,
Fria e cadavérica,
Não mais minha, Mas agora, das moscas.
E na beira desta praia de frustrações
Fitei teus lábios, secos para sempre,
Mas sem poder beijá-los...
Eu estive lá! Sempre estive ao teu lado.
Quantas vezes, aqui, nos ajoelhamos,
Quantas vezes, aqui, morremos.
Nossa vida de desejos estranhos,
Baixa, sem nenhum horizonte visível.
Quanto rancor em nossas vidas de desejos estranhos!
E quantas razões para odiar minha existência.
Pelas vezes em que falhei; Infinitas.
Mas eu imploro: Me perdoe! Eu sinto muito...
Eu senti muito, todos os dias;
E Todo o ódio-próprio
Passeia por minha mente desesperada
Nesses dias frios.
Daria tudo para voltar atrás
Daria a vida para ter o que tive.
Tudo para não viver agora a vida de joelhos.
Sem mais ternura,
Nem esperança, nem desejos tortuosos.
Vejo o que restou aqui...
Eu e teu cadáver
E meu ódio, acumulado do teu.
À beira da praia,
Só este vazio e eu,
De joelhos, lado à lado.
Daria tudo para voltar atrás.


"Your love looks like blood tonight
In the shadows no one sees me cry
Your love looks like blood tonight
But this feels so right..
It hurts so bad to say goodbye"

"We fade to gray"

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O Corpo ao Vazio

Vivendo como um cão.
Só mais um, na beira de tuas sarjetas.
Caminhos tortuosos estes que trilhei
Com meus pés machucados
Por caminhar sobre cacos de vidro
Em busca de carinho, ou restos.
Nada é tudo que existe
Se tudo que existe é vazio.
Estes mares de desilusão,
Ah! Águas que turvam minhas vistas!
Sal na treva de meus olhos
E à queimar meu paladar refinado de cão
Em cada solidão dessas noites frias.
Foram nessas noites, me recordo,
Que aprendi a caminhar sozinho;
Foram nessas noites que,
Sozinho, cortei meu corpo e mutilei meus sonhos.
Eis em mim o sentido do mundo.
Ânsia de morte toma minha garganta
Minha vida inútil há de ser expelida.
Eis em mim toda a beleza da existência!
Nas palmas de minhas mãos,
Tenho todos os sonhos de minha infância
Rumo certo - Rumo reto
Arremeço-os à crueldade do chão
- Como antes, um dia fui arremeçado.
Corro! tento fugir de mim.
Corro, até minhas pernas não suportarem,
Até ter diante de mim o mais negro abismo
O abismo de minhas próprias fobias.
O corpo ao vazio
E sangue frio correndo em minhas veias.
O corpo ao vazio,
Pois nada é justo, afinal.
E os cães, na madrugada fria,
Disputam ferozes minhas víceras.
Não é justo, neste mundo
Que eu viva para sempre como um deles.


"What you're gonna do when the novelty has gone?"

-
[Cada texto tem sido um eco do outro, Pouco a incrementar na idéia geral.
Mas é como saem os sentimentos,
Mesmo sentimento, mesmas expressões, mesmo pesadelo]

sábado, 25 de junho de 2011

O Herói, em Pedaços

Cresci, mas me sinto pequeno;
Esmagado entre os dedos
Da mão de um Deus que um dia me afagou.
Me recordo ainda
Aquelas brigas entre crianças
Onde meu pai era o mais forte;
Mas meu orgulho próprio, sempre baixo.
Do topo deste mundo
Vi caírem jovens fracos
Em guerras vãs.
Agora vejo, do fundo do poço
Tombarem diante de mim
Faces de notável grandiosidade.
Somos nós, hoje
As estátuas desta cidade.
Somos nós, hoje
Os fantasmas que assombram
Nossos lares tristes.
E por detrás, sei que algo existe.
Uma fortuna desgraçada
Que aguarda cada parte
De meu heroísmo suicida.
Depois do concreto,
Por detrás do pó da ruína
Sei que algo está lá!
É o pavor, nascido do fundo
De nossas tumbas bem lacradas
E dele,
as lágrimas de nossos pais injustiçados
- Heróis, despedaçados.

"Without Eyes you Cannot Cry"

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Desespero Suicida

No abismo da perdição, lançado à queda sem fim
Desistiu de viver, como um covarde?!
Fiquem teus filhos, em lágrimas ungidos,
Aos pés de sua tumba orando em vão.
Não hão de reerguer a cabeça um dia mais
Não hão.
Filhos da desgraça! - Nomeio -
Os que deixaste para trás neste mundo;
No ventre da morte
Foram eles também, como fetos
Nutridos da angústia infinita!
A dor que os parta ao meio.
A dor que os quebre em pedaços!
Desta vida, cicatrizes e corações partidos -
Vazio e dor, a substância de tua ausência.
Nos braços de tua esposa, tua vida escorreu,
Agora jás nas mãos de Deus, o berço de fogo que te espera.
Pois eu pude ver por trás de teus olhos, o desespero
Pois eu pude entender, e ora, te digo:
Morte é o nome da coragem nos lábios dos suicidas -
E completo, com tom firme - Almejavas paz?
Pois o desespero vem agora de tua voz muda.

If You Love the Songbirds

(Primeiro poema que escrevo em inglês, não sou muito fã, mas achei que perderia muito se fosse em português)

If you Love the SongBirds

If you love the Songbirds
Give them a reason to sing
'Coz the birds locked in cages
Just know what tomorrow may bring

You live just like a Lost Dog
Lyin' in someone's else door
The same plea for pity in the eyes
The head always down on the floor

A dog suffers for unhealed scars
Of mistakes once made in the past
The one who choose the present knows future
And now you're well buried and dead

So, if you love the songbirds
Give them a reason to fly
Cause Songbirds locked in cages
Sing because didn't learn how to cry

terça-feira, 14 de junho de 2011

Velho Demais pro Teu Mundo

Existe um vazio dentro de mim;
O tempo correu através de minha existência,
Até que a velhice chegasse
Sem o meu consentimento.
Coloquei a corda no pescoço
De minhas relações com um mundo
Fútil e sem razão,
De palavras vãs em lábios cruéis.
Ninguém me olhou com ternura,
Nada mais que seu desprezo
Caí.
Milhares de sonhos secos
Em meus olhos tortuosos,
Atormentaram meu sono na noite.
"Hei de esquecê-los"
Sorria, com tom triste;
"E só por esta manhã,
Só por esta maldita manhã;
Tão fria e depressiva, e em que
(sem nenhuma vontade)
Me coloco em pé,
Queria que ficasse ao meu lado".
Mesmo nos dias em que sorri,
Dos quais nem pó resta,
Possuía ainda, visão pessimista.
O peso na consciência,
Esta ânsia catastrófica,
Avassalando os sentimentos
Que eu guardo por ti e de ti escondidos
Sempre esteve bem à vista.
E você se foi. Você se foi para sempre...
E o que restou do amor em minha
Cabeça abalada pelas mudanças
Foi só uma enxaqueca maldita,
Que me cega, que me cega o tempo todo.
Porque é que tem que ser assim?
Guardo o zelo nos bolsos e choro,
Amor ou ódio-próprio, como se importasse.
Porque é que tem que ser assim?
Meu corpo fraco há de se extinguir...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

House of Mystery



(Do mesmo pintor da imagem da headline - House of Mystery #19)

Esao

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Solidão

É raro um texto aqui não ser meu, já que eu sou egocêntrico.
Mas este aqui me impressionou muito,
então postarei-o, por ser maravilhoso.
É de um grande amigo e de alguém que merece, sem dúvida, meu mais sincero respeito.
Além de escrever maravilhosamente bem:

Solidão

"Solidão

No início achei que fosse um grande alvoroço de pessoas protestando, pensei em ir até a rua para ver o que estava acontecendo. Aos poucos, o barulho foi ficando mais agudo, parecia que uma alcatéia de lobos famintos marchava em minha direção. Era o vento que uivava, fazendo tremer as janelas por onde passava. Pude ouvir ao longe o som de vidro se quebrando e o barulho das folhas se arrastando pelo chão. Minhas mãos estavam geladas e a direita subiu trêmula até a boca. Dei um último trago no cigarro e o apaguei na parede de concreto, deixando mais um ponto preto para a coleção. No céu as nuvens passavam correndo, como se fugissem da grande tempestade que estava por vir. Uma bela lua minguante foi revelada, acompanhada de alguns pontos luminosos espalhados pelo breu. Uma rápida memória da minha infância passou pela minha cabeça, de quando eu, deitado na varanda do sítio de meu avô, ficava contemplando o céu que naquela época era forrado de estrelas, onde as infinitas combinações abriam as portas para a imaginação. Tão rapidamente como as outras se foram, novas nuvens surgiram, desfazendo minha visão e me trazendo de volta à realidade. Um clarão deixou o céu avermelhado e aguardei por alguns segundos o estrondo que não veio. Entrei no meu quarto, deitei em minha cama, me cobri até a cabeça buscando segurança. Ao vento não tinha porque temer, apenas agradecer por me deixar ao menos ouvir o som de sua voz."
- Marcelo H. Cuenca

O Assassinato dos Amores

Cabeça entre os joelhos
em posição fetal, o mofo toma as pernas.
Da podridão, algo lindo cresce,
Engolindo seus glóbulos oculares
De dentro para fora,
De dentro para fora,
Suas entranhas expelidas no banheiro.
Um anjo o toma pela mão,
Seringas traçam um belo caminho
Que o leva ao ápice de suas sensações
(As vezes envolve uma breve visita ao inferno)
Distimia.
Nada se encaixa, nada tem uma direção.
Se sente um monstro,
Uma experiência mal sucedida.
O desespero em cada músculo do corpo -
Branco na mente, Preto na alma.
O retorno de sua viagem tenebrosa;
Um sussurro nos ouvidos
O suicídio em seus lábios
Contornos tortuosos e sentidos incertos
Uma emoção o abraça forte,
Agora tudo está perdido. Está perdido.
Nenhuma saída é real,
Nennhum sonho pode se realizar.
Esquartejou seus amores e, com eles,
Seus membros foram amputados;
Agora é esperar a morte chegar.


"If i'm gonna cry
will you wipe away my tears?
If i'm gonna die
Lord, please take away my fear

Before i drown in sorrow
Well, i just wanna say
How will i laugh tomorrow
When i can't even smile today?"

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A Lápide

O meu ser e meu corpo,
Oferta em teu altar.
Espero que te alimente,
Que te nutra a alma, profundamente.
A incompreensão,
Esta mãe de filhos sem boca,
Vejo agora arrancar-lhe os braços.
Garota, não chore
Pelo estupro de teus íntimos...
A vida, à nós, também cegou.
Todos nós, tendo em nossos caminhos
A nebulosa tristeza cotidiana.
Toda uma nação de infelizes
Com os corações em mãos
Tremulando a bandeira da ânsia
De que esses não mais pulsem.
O desejo de confiar e pertencer
Abafado pelo medo do punhal nas costas.
Debatamo-nos em agonia!
-Toda a nossa humanidade
Jaz no ventre de uma lápide
Construida de cal e crença.

"Um casamento de conveniência
Só é capaz de gerar filhos mortos"

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Meu corpo -
Para dar de comer aos decompositores.
Para doar aos vermes
Matéria que de nada vale
Se não alimento para o solo.



"Am I wrong?
Have i run too far to get home?
Have I gone?
and left you here alone"

Deuses de Fumaça, Ódio e Ilusão

Iludia-se,
Fraco e miserável.
Uma xicára de chá
(Ou cocaína pra esquentar os ânimos).
O vento soprava forte
Contra a face dos verdadeiros sofredores
Desconhecedores do que é brisa amena.
Estava estasiado,
Algo prendia a atenção
De suas vistas exaustas.
A bebida já fazia efeito
A verdade haveria de rasgar os céus
Em alguns minutos
(Sua visão turvaria como um profeta
Que anuncia o fim dos sentidos)
Lá fora, faces sem vida abriam os olhos
Por dentro, súlfur queimando.
Sonhos esquizofrênicos deturpavam a mente,
Remédios caros para alimentar os fetos
E nicotina pra satisfazer a alma.
Os deuses de fumaça lhe faziam cócegas
O pagamento em rituais de auto-flagelo.
Toda a sua raiva alimentada pela vida
E o destino e o asfalto.
As sociedades de ferro e aço
Se alimentavam de seus orgãos.
Pâncreas, rim e coração
Na mesa de cirurgia da crueldade!
Por isso, iludia-se
No seu berço de fumaça e ódio
Deitava-se na noite
Esperando que alguém viesse embalar seu sono.
Sabia que as esperanças haviam de morrer uma hora,
Só não estava preparado, ainda.

"A angústia e o medo ainda persistem
Os homens nunca esquecem suas flores mortas"

-
"Bouquets são flores mortas num lindo arranjo"

domingo, 29 de maio de 2011

Veneno

O veneno corre minhas veias
Meu coração podre, parando,
De minhas câmaras, só as teias.

Anseiam me matar, assim sem razão?!
Sua maldade já me enterrou, então.
Compras minh'alma e a de meus entes,
Com olhos de tons maliciosos
Com seus atos sempre tão maldosos
E ações de mãos decadentes.

Se minha existência lhe tira a paz,
Que ela atormente teu sono,
Num tempo em que não viva mais.

Não me deixe aqui, enclausurado
Por culpa, ou amor não demonstrado.
À você, dedico minha fé,
São seus, meus últimos suspiros,
Em tuas recordações, respiro,
Como dias em que estive em pé.


Não me deixe morrer,
Eu imploraria.
Não me deixe morrer,
A paz me traria.
Não me deixe morrer,
Enfim, padeço.
Não me deixe morrer,
No chão apodreço.

"Toda criatura neste mundo morre só"

sábado, 28 de maio de 2011

Ode aos Grandes e aos Medíocres

A existência e o vazio
São espelhos frente à frente.
Fitas sem temer?!
Negue, Negue-me diante dos soldados;
Fugir é sempre uma solução viável!
Todos os juízos jogados ao chão,
Conceitos e verdades estraçalhadas,
Só porque existe uma força maior;
- Que os ateus se curvem!
Ah! Ia me esquecendo
De seus inflados egos e sua arrogância!
Esta tamanha grandeza que vem de gerações
De gloriosos estudiosos e conhecedores
(Os maiores sábios em suas tumbas)
O que me apetece mais do que
Marx e Tolstói bem mortos e enterrados?
Seu grande conhecimento, Que honra!
Seus livros em minhas mãos
Não valem mais do que páginas brancas cobertas
De lama e de feses.
Suas capacidades, méritos e rios de sangue
De algo os valeu nas dificuldades?
Que os filósofos se suicidem,
Que morram os Padres e cientistas! -
Nasceu a nova era.
A era do câncer na cabeça,
Da Morte súbita no domingo à tarde,
Tempo de parar com as Utopias.
O filho de Deus se fez homem,
E o mérito do maior homem
É sua pena de morte.
(Até Deus se rebaixa à ser real, se for)....
- [Parada reflexiva] -
Covarde para olhar no espelho, Você se achando o maior!
Apontando o dedo contra os outros?!
Homem de lama, incapaz de enxergar.
Todo seu orgulho estará podre quando for o tempo.
Todos vocês, tão cheios de si, à minha volta,
Hão de apodrecer como eu.
E quando o dia chegar, vou gargalhar com fervor!
(Tamanho nojo que guardo de suas existências medíocres)
Não aprenderam à ser. Se auto-afirmam mas,
Só enganam vocês mesmos e os palhaços que são sua platéia.
Mas eu sou capaz de ver o inseto que caminha sob seus pés.
Eu convivo com os lagartos que ignoras!
Estou com eles hoje, na casa onde moro e,
No juízo final, hei de saborear com eles,
O banquete delicioso que serão tuas mortes.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Vida de Restos

O medo arromba o quarto
A dor tomando o corpo com violência.
Suas mãos tremem, o coração dispara;
Tão triste, tão vazio
Nu, no chão gelado
Tremendo, com os lábios secos;
Aja, aja, aja!
Suas percepções sem nexo,
Escoando pelos ralos da sanidade.
Como se sente garoto?
Como se sente?
Vivendo no reino das baratas,
De orações mortas,
Sustentado nesta Fé apodrecida.
O suor frio, o congela por dentro,
Sua carne se corrói,
Seu espírito consumido.
Sorria! É sua morte!
Por favor não se esconda...
A realidade resolveu aparecer;
Não aprendeu nada com esta vida mediocre!
Não ganhou nada neste mundo!
Seus troféus de merda,
O cheiro fétido
De suas milhares de derrotas,
Penetrando seus pulmões.
Fracassado, mais uma vez,
Essa luz te cega, consome,
Consome teus olhos fracos!
Deite-se, na cama de espinhos,
Filho das trevas,
Marionete do tempo,
Jogado num canto, desgraçado,
Neste seu mundo de sobras
Neste depósito de lixo.
Seu pesar é a vida -
Mas a morte não liberta!
Dançando valsa com os vermes,
Se alimentando de seus restos,
Do que eles vomitam -
As lágrimas cobrem o rosto branco,
Os seus ossos, mais nada, no chão.
Os escombros de um jovem,
Sem alma, sentimento anestesiado
Acabado, acabado!
Olha em volta; Um Anjo Morto,
A sua vida é feita de restos!
O que é que sobrou para você?
De tudo o que mais ama...
O que é que restou?


"Amarrados, esfolados
e gritando no porão
Fuzilados, ensanguentados,
vomitando o coração"

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Claustro

Todas as vezes em que eu sorri,
Sentimento volátil - Inspire, inale.
Era tão fácil esmagar estes meus dentes
Entre os pés brutos de sua maldade infinita.
Ah! Como eu quis!
Como eu quis naquelas tardes
Me olhar no espelho com ternura.
Meus olhos insistem em sangrar
Tão negros, tão impuros, assustados.
Meu corpo na fogueira.
Minha sede insaciada.
Me debatendo, a pele dilacerada,
Defecando pelo meu maldito corpo,
Tamanho o medo desta vida inútil!
Nada abrange estes meus vícios...
Todos os defeitos apontados -
Os cães vadios ladrando,
Mordendo seus próprios rabos.
Desgraçados! Que morram todos!
As narinas exalam sangue,
Até morrer de hemorragia,
Meus lábios rachados de tão secos
Amaldiçoam tuas belas esculturas.
Arquitetônicas, minhas pernas bambas
Tão prestes à ruir.. Uma vida inteira à ruir.
Não me mostrem seus dentes amarelos!
Este pássaro sem asas,
Tão incapaz de cantar.
Neste claustro escuro,
Sem chance de Ser.
Agoniza, Agoniza, agoniza...

"Godless
Feeling
In me,
I Couldn't Love it anymore,
I Couldn't Take it anymore,
So You Leave me,
Godless "

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Descanso

Desligue os aparelhos
Eu imploro! - Descansarei minha cabeça,
Eutanasia para meus sonhos.
Me sinto um maldito à cada vez que sorrio.
Por ainda aguentar esta vida de misérias e migalhas.
Por não ter sido massacrado, ainda;
Pelos erros, pelas mortes, pela ignorância.
Sorrio, quando não deveria mais mostrar os dentes.
Por aguentar a dor, mais e mais forte,
Enquanto pisam sobre meu crânio,
Me fazendo sangrar. me fazendo querer esquecer
Todas as vezes em que fui derrotado;
E me fazendo querer esquecer
Esta maldita e vazia existência.
À minha volta, vocês sorriram
Enquanto os vermes passeavam por minhas entranhas;
Enquanto estive jogado às traças,
Exposto em seu museu macabro
De escárnio e negro humor sarcástico.
De risos medonhos sobre meu caixão.
Eu não sou deste seu mundo de maravilhas,
Romances e amores sem fim;
Sou um cadáver, nasci para morrer!
Me tornei uma sombra maldita e,
À cada passo, à cada sonho morto,
À cada fracasso; Me sinto um completo idiota.
E sou.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Faces Marcadas

Chegou, antes que anoitecesse,
Com a angústia de quem aprendeu viver
Num mundo de infinita treva
E suas retinas sem foco sonhavam.
Com ainda aquele antigo rosto marcado,
Sorrindo por eu estar desfigurado.
A mesa estava bem posta,
- Banquete para os trouxas! - Ébrios, cantávamos.
Tentava trilhar o crivo estreito da vida,
Seus pés tortos impediram.
Segurou firme em minhas mãos,
Eu jurei que iria segurar.
Fumaça nos céus; O coração tão seco...
Seus pulmões, duas pedras de carvão queimado;
A culpa tinha largos olhos
E tão alta era sua voz nos ouvidos
Que os tímpanos começaram a sangrar.
- Esses são céus, meu amigo -
Começou o diálogo de forma estranha
- De um cinza tão intenso quanto teus olhos depressivos.
- Preciso de mais uma dose - concluí.
Havia chego atrasado para seu velório,
Minha mente tardia me ludibriara novamente,
E ele continuou:
- Nem comecei a viver e me chega a morte
Neste belo vestido de noiva?
Assoprou o pó da mesa pelos ares.
Os sentidos haviam se perdido,
Suas mãos sem tato, sempre tão leprosas,
Nunca juntas em suas orações vazias.
E eu, ali no chão mais um dia,
Nem soube agradecer os poucos trocados
Que a raiva me roubou naqueles anos...

"Não mais seria como os velhos dias
Nunca mais voltaria à ser"

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Diálogo com Deus

- Fugindo pelas janelas;
Esses prédios negros
De sua cidade estão entediados.
- Quiseram estar altos como você, não?
Você me disse não querer viver mais nem um dia,
E olhe agora para si:
As pupilas dilatadas
O sangue pulsando e a falta daquela antiga dor...
- O pus de dentro do meu corpo
Jesus é que colocou.
E sentou do meu lado,
Na sarjeta cheia de esgoto,
Fedendo a lixo e vômito,
Veio conversar com seu Deus um pouco
e até se arriscou a me confundir.
O frio estava intenso,
E ele deitou pra se encontrar -
Tremia no chão, cospindo espuma
Até secar a mente, deixar só pó.
E eu observava, com um sorriso sarcástico.
- Agora você me entende,
Mesmo que soemos tão patéticos nessa madrugada.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Brother

"You were always so far away
I know that pain
So don't you run away
Like you used to do"


Alice in Chains

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mãe

Beije em meu rosto,
Um pouco de sua crueldade,
Antes que teus lábios secos apodreçam.
Sorrateira, me observava
De fora, mas de dentro
E minha alma queimava em ódio.
"Desde quando está à porta
Observando minhas ações?"
Não sou capaz de suportar.
(Meus joelhos esfolados jorravam sangue
Até que eu não conseguisse mais caminhar)
É, aprendi muito desde
Que os últimos dias frios se foram...
Confesso que era mais feliz, antes.
Olha, mãe, olha bem pro seu filho depressivo
Vê só como caminha torto;
Os pés tão defeituosos...
E mesmo assim, nunca te trouxe orgulho
que eu tenha pernas? -
E braços, e coração. Eu tenho um!
Você não se reconhece em minha face, não é mesmo?
Olha para mim, mas não sou seu.
Mas se desejares, posso atear fogo à minha pele
Até meu rosto ficar desfigurado,
Assim, um dia, glorificado
Pelas suas mais nobres piedades católicas.
Ó garoto (converso comigo mesmo, em insanidade),
quais amores você viu morrerem aos poucos?
Me recordar de todos... que lástima!
E tu, porque ainda se rasteja como o verme que és?
Porque não cai ao chão como os outros
E se debate, em agonia, pela última vez?
Nada aqui tem futuro, jovem.
Ao contrário do que diziam, você cresceu.
E isto que vês no espelho, é o que tu és, sim!
Infiel à tudo em que pode acreditar um dia,
Traidor de ti mesmo.
És um maldito - E não volta à infância.
(E volto-me para fora de minh'alma)
É mãe, tu me olha de cima a abaixo e sou o mesmo
Mas por dentro,
Sou só mais um dos que morreram cedo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Os músculos vibrando pelo corpo;
Estagnado, boqueaberto -
Estive quase morto;
Face a face com Deus.
Venha, amor, abra meus olhos!
Vamos dançar na lama um pouco!
A chuva cai -
Caem meus olhos no espelho;
E a noite, arde.

domingo, 1 de maio de 2011

Amores de Gato

Minha gata se aproxima do pé da cama.
Meu corpo estirado, semi-morto
(Oh, como desejava que os quases não existissem!)
Jogado nas cobertas desarrumadas.
"Venha cá gatinha, venha cá"
E ela pula, e mia de mansinho,
Em minha mente ela me diz:
"Não consigo me esquecer, Bruno,
Das noites em que me deitei entre suas pernas"
Mas no fundo, é só um grunhido.
Se aconchega ao meu lado e massageia minha barriga
(Suas unhas incomodam um bocado).
"Aconchegante, não?"
[Nota mental: Gatos não entendem sua lingua, Bruninho]
Queria questioná-la, saber qual o sentimento
Que ela ainda mantém para com a minha pessoa.
Há quanto ninguém dura tanto tempo ao meu lado?
Ela vira-se e se deita.
No fundo, só ela sabe que meu corpo ainda é quente.
"E você ainda é capaz me tirar sorrisos, danadinha!"
Ela parece sorrir para mim, então, sorrio para ela.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Omnia sol temperat

[...]
Ama me fideliter,
fidem meam noto:
de corde totaliter
et ex mente tota
sum presentialiter
absens in remota.
[...]

[Carmina Burana, Primo Vere: IV Omnia sol temperat]

---------

Dedico a você: a pessoa que fez despertar em mim o amor nas mais variadas e intensas formas.
Postado por: Marina Pedersen





(*-* /bruno vinícius)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Relógios

Os Profundos Desejos

Ainda poderia.
Um desejo que o consumisse
Como chama no frio
Calada, sentada e cautelosa
Incapaz de aquecer
Queimar-lhe os olhos.
Colocaste o olhar incerto
Por além destes morros azuis?
Deslizaste seus dedos magros
Pela poeira que cobre a cidade seca?
Me lembro de ti quando criança,
Desenhando estradas as quais não trilhaste:
Ó garota, não vá depressa demais
O chão está liso!
Ainda hei de desejar
O abraço daquelas mães.
Quais tenues linhas
desenham seus lábios quentes...
Os gélidos dias se afastavam,
Quando deitavas junto à mim...
Sonharia contigo, uma vez mais -
Um manto que me cobrisse -
E acordaria ao teu lado.
Mas o suor é que me escorre,
Quando um pesadelo me desperta
De repente e no meio da madrugada.
Sento e um desejo me toma,
Consumido por tudo o que é negro.
Me deito, durmo e meu sonho se vai
Para onde quer que leve
A estrada que passa por debaixo
Destas janelas solitárias.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Psykiskt Instabil

Estou perdido,
Me sinto deslocado.
Só, só solidão;
Vazio sem finitude.
A faca em minhas mãos firmes,
O corte, afiado, massageia a garganta;
Estou pronto para acabar com tudo.
Nunca tive para onde correr.
Pelas ruas sujas de lama,
Tentei me esconder o tempo todo.
Vivi no esgoto, no lodo social.
Vesti uma bela máscara
E mesmo assim, continuei
Me arrastando como um inseto:
"Pisem na minha cabeça!"
Tentei acordar para minha vida
E assistir o fim do mundo
Saboreando a ruína humana - Falhei.
Garoto abandonado,
Jovem insolente e isolado.
Ah, o amor próprio...
Nunca encontrei sentido
Para erguer minha cabeça.
Estou perdido,
Querendo que meus miolos
Se espalhem no chão da sala.
Não quero mais enxergar
Não quero mais esperar.
Ansioso e angustiado
Vivo e morto.
Vivendo de pesadelos
Esperando pelo fim deles
Sem perspectiva,
Totalmente sem perspectiva.
Deitado num corredor fétido
Vomitando toda e qualquer alegria em viver.
Deitado, sozinho,
Ansiava ser amado,
Sem ser capaz de amar-me.
Psicológicamente instável,
Levanto meu corpo esquálido,
Sujo e acabado,
Arrancando os cabelos em agonia.
Álcool nas veias,
Gasolina nas mãos;
Ateio fogo ao meu corpo.
Um último riso vitorioso
- "Que se faça luz!"

domingo, 24 de abril de 2011

À Margem

Tudo que sobrou é o seu cadáver.
Você, no seu quarto, de noite;
Ansiando golpear a parede
Com a sua maldita face
Até ficar desfigurado para sempre;
Você, jogado à sarjeta,
Na beira da estrada
Se alimentando de lixo
A vida a meio-fio
Esquecido, solitário,
Banquete pras traças.
Na sua expressão, só medo.
As cicatrizes tomaram seu corpo,
Até o prazer da dor se foi.
Quer abrigo, quer possuir alguém
Mas tudo que restou é
Seu corpo num canto escuro,
Numa cidade vazia, com uma alma vazia.
É tudo de plástico; é tudo Irreal.
O que há em sua volta é artificial.
E você também é!
Seus olhos no espelho, sem foco, sem foco...
Não conseguem te enxergar...
Não vêem à um palmo do teu nariz.
Nada tem vida; Você não tem.
É incapaz de caminhar.
Fugir?! Lugar nenhum te abrange!
...O estalar dos seus ossos na madrugada,
Seu queixo batendo sem parar.
É o medo! Tocando a porta trancada de sua casa.
A insanidade veio te consumir,
O pavor te possui aos poucos,
A morte se aproxima.
Suas mãos tremem, o suor te escorre;
Aperte o gatilho.

sábado, 23 de abril de 2011

Is this the role that you wanted to live?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Os Miseráveis

Não tem porque Ler este texto, só estava me organizando.
Esse post é diferente de tudo aqui.
Pode me achar babaca, imbecil.
Não é bonito, não faz sentido. Não é uma poesia, nem uma previsão.
É, no fundo, um desejo, só. Um relato, talvez.
De muito que ouvi, que li, que vi pessoalmente e do que eu entendo por justiça.
Nem é revoltinha infundada de 15 anos de idade.
É só um desejo no fundo do meu coração.
(Não devia postar aqui, mas o blog é meu, afinal)

Os Miseráveis

Os pobres estão amontoados.
Jogados às margens.
De suas grandes ruas, de cidades lindas, paradisíacas.
Os pobres estão sempre por perto; A espreita, no escuro.
Nas favelas, se reunem.
Todos juntos, trabalham por você.
Os miseráveis estão por todo lado;
Com suas almas mortas, você espera que eles fiquem caídos.
Mas sua boca espuma de raiva. Eles aguardam.
Nas sombras por trás das cortinas, do seu palco grandioso,
À margem do centro; Miseráveis periféricos.
Eles estão aguardando, mas suas jaulas empilhadas nos morros
Estão abertas e o circo está pronto para pegar fogo.
E quando acontecer, o palhaço vai chorar enquanto é crucificado.
Os portões de suas casas de três andares
Estão prestes à ser derrubados por aqueles
Que não tem dinheiro pra comer no fast food.
Eles não tem esperanças, nem querem justiça.
Ficam no frio, na madrugada, deitados em papelão.
Eles querem sua cabeça na churrasqueira.
Eles nunca leram marx, mas sabem da distribuição do seu dinheiro.
Vão entrar na sua casa gigante, fedendo merda.
Vão pisar no seu sofá branco com os pés sujos de barro.
Vão estuprar sua filha e sua esposa, vão te deixar de quatro
E botar fogo nas suas obras de arte preciosas.
Não adianta chorar, nem rezar.
"Bem vindo ao livre comércio das américas"
Não acreditam na ditadura do proletário.
Eles acreditam em foder com seus familiares
Matar seus amigos, vestir suas roupas de grife.
Acreditam em roubar sua comida, porque não querem mais subviver.
Eles vão se sentir como os grandes atores da TV,
Que vão estar enforcados pelas praças e na praia de Copacabana.
Eles são à favor do aborto e tem religião.
Eles te estendem a mão, quando você não tira elas do bolso.
Você pára no sinal, eles te oferecem balas;
Mas agora as balas vão ser enfiadas na sua cabeça.
Seu pior pesadelo está deixando de se arrastar pela sarjeta
E o seu cartão de crédito não pode fazer nada pra te salvar.
Os pobres não vão mais só consumir de seu mercado.
Vão botar fogo no seu apartamento. Virar seu carro novo.
Destruir seu estabelecimento e cospir na sua cara.
Rir de seu governo. Não tem polícia pra segurar
Os milhões de cães de caça que você, com suas migalhas, alimentou.
E que agora, soltos de suas coleiras sociais,
Comem seus filhos e roem seus ossos frágeis.
Eles não são vegetarianos.
Seus orgãos vitais serão prato fino nas mandíbulas
Daqueles que você mesmo deixou à beira da estrada.
Os pobres com raiva; Os ricos com medo
"Você nunca pensou que fosse ter um fim tão deprimente".


Não acredito que haja algo de bom no ser humano.
[Influência forte de Sick Terror (Grindcore, ultraviolence brasileiro), Uncurbed(Hardcore, Crust Sueco) e de Malvados (quadrinhos brasileiros)]

Eutanasia

Minha alma está em coma.
Pelas sombras nuas, caminho só.
Pelas ruas estreitas, nos fins de linha.
Nos becos, Nas beiras de abismo.
Não há saída. Nunca houve saída.
O sangue corria nas veias.
Ciclo fechado; Fechado meu coração.
O espírito quis fugir. Almejava a liberdade.
Aqui dentro, tudo apodreceu.
Aqui dentro, a esperança morreu antes mesmo de nascer.
Fui pedra, para aguentar à mais pura dor.
Todo o meu ódio; todo o sentimento ruim
Me matava, e me mata aos poucos.
Me sinto só o tempo todo.
Quando cai a noite, somente a solidão me abraça.
Minha alma está em coma
E um último desejo me consome.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A Espera de uma Nova Vida [e Considerações do autor]

Os posts ultimamente estão meio diferentes.
Toda essa repetição dos mesmos sentimentos massacra minhas idéias.
Bom, se for ler pela primeira vez, comece do fim, ou, sei lá, pule os quatro ou cinco próximos, são frutos de muita revolta e nenhum esforço.
Obrigado.
[Um nome bonito não designa um bom poema]
-

A Espera de uma Nova Vida

Quisera viver sem medo,
Quando o mundo servia fria
Sua cabeça na bandeija de prata.
Acordava cedo, para perder novamente;
Um dia como qualquer outro.
As lágrimas insistiam em cair
E sua espinha gelava, impiedosa.
Nasceu de novo o medo,
Morreu qualquer sentimento.
"Vingança é cortar o próprio pescoço"
-Pensou sozinho, na noite;
"Para saborear plenamente
a derrota do inimigo desgraçado!"
E o sangue escorreu quente
E a tez ficou fria,
e o tato quase se perdeu.
Deitou a cabeça, no chão,
À fim de dormir pra sempre.
Vencer a vitória é notório,
Mas quem sonha, um dia acorda.
Se o fim fosse este, bastava;
Bastava o fim da tristeza.
Mas não veio salvar-lhe a morte,
Amargou-se, frustrado, à sarjeta.

domingo, 3 de abril de 2011

SobreNome

Me sinta
por dentro;
consumido
Sem nada.
Vazio!
O mundo
Queimou
Minha
Alma
Mediocre.
Espírito
Não tenho.
Não me
Importa.
A minha
Face
Não me
Importa.
Água e
Sal nos
Olhos.
Na boca
O amargo
Do sangue.
Frustração.
Me sinta
Por dentro.
Negro.
Escuro.
Origem
De meu
Nome.
Minha
Origem.
Do pó
Ao pó
Ao nada.
Sem nada
e por nada.
Não me
Importa.
Ó verbo!
Meu Deus!
Porque
Este mundo
Não outro?
Ó pai!
Imploro!
Me sinta!
Não me
Deixe
Morrer
por dentro.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Não merece um Título

Foda-se o brilho nos olhos dos jovens;
Foda-se você e o lixo dos seus sonhos.
Dê uma olhada à sua volta
Deixe de ser um tapado, idiota, imbecil
Forçando sua cegueira pra não querer
Cortar sua garganta à cada passo.
É só regresso! É só derrota!
Você fracassa e fracassa.
Faz promessas que não cumpre;
Sem razão pra se manter em pé
Come merda e cacos de vidro.
Tinha sonhos, tinha esperanças
MAS AGORA NÃO TEM NADA!
Vai morrer sozinho e sem nada!
Bem vindo à terra dos corações partidos,
Não chore como uma criancinha com medo.
Suas mãos apodrecem tudo aquilo o que tocam.
A lama nos pés marcam o fundo de teu poço interior.
Ó! animal que rasteja
Impuro pelo bosque dos malditos!
Vomita de ti o amor, e cospe a alegria,
Só o ódio te abraça, só a morte te busca!
Quando foi que se jogou pelo ralo?
Foi derrubado! Está acabado como nunca;
E vai morrer no final, vai morrer no final,
Vai morrer no final!
Sozinho, louco, imbecil e frustrado,
Vai morrer no final.


-
"Me deixa esquecer que a vida é assim,

Desisti de sorrir, desisti de sonhar,
Desisti de querer viver em paz"

sexta-feira, 25 de março de 2011

Eterna Ressaca

Vivendo de inúteis quimeras
Maravilhosas por sua natureza
Sonhando com mulheres belas
Como as de comercial de Cerveja

Que aquece nossos baixos egos
Pelo cansaço já massacrados
Quando estamos pelo ódio cegos
Ou chorando sonhos não realizados


Comemoremos novas alegrias
Festejando como grandes amigos
Esqueçamos essas noites frias
Perdoemos os fracassos antigos


Assistiremos à triste morte
de nossos ideais juvenis
Amaldiçoando nossa sorte,
Perdendo esperanças infantis

Contemplando esta idiotice
E'a ressaca que à nossa paz gora
Julgamos termos chego à velhice
Mesmo que seja bem antes da hora

segunda-feira, 14 de março de 2011

Incerto

Bom, normalmente posto coisas minhas, mas,
Não podia deixar passar esse texto, em especial.
Então posto aqui um texto de um grande Escritor, Músico, Intelectual e sobretudo grande amigo!


Incerto

[O andarilho]

Sem muita luz
Meus olhos ardem
O vento me conduz
A uma miragem

Estou definhando
Como tudo em minha volta
Sigo andando
Por um caminho sem volta

Tudo o que é certo
Vai contra a razão
Um árido deserto
É o nosso caixão

[A árvore]

Toda minha energia
Sumindo na escuridão
Inexistente sintonia
Flores cinzas ao chão

Doentios animais
Não souberam aproveitar
Esperança nunca mais
Já é tarde pra recomeçar

Recolho meus frutos
Numa falsa calmaria
Sempre em luto
Espero por outro dia

[Epílogo]

Então um vasto manto
Cobre a natureza
Sua beleza num canto
E no outro sua frieza

No berço da humanidade
Máscaras vão caindo
sem justiça e liberdade
O mundo acaba falindo
-
Guilherme Faustino

domingo, 13 de março de 2011

Devemos Deixar que Aquilo ao que Amamos Se Vá

Andei por trilhos desgastados,
Conheci muito e muito do que conheci
Era o chão áspero e sujo onde cai,
Enquanto tentava aprender à caminhar.
Muita solidão me acompanhava,
Muito do que era tristeza, me sentia.
Nos braços do medo
Me deitei em noites frias de insônia,
Incapaz de dormir, não pude sonhar.
Almejava adentrar meus pensamentos,
Conhecer minha própria mente;
Descobri o pesadelo.
Tudo estava ali, nos meio-sorrisos.
Nas lágrimas inteiras; Eu fugia.
Me afastava de tudo que me pertencia,
O demônio me consumiu aos poucos.
O sangue quente em minhas veias
Nunca abrangeu o gelo de minha espinha
E meus ossos fracos
Se quebravam à cada passo em falso.
Consegues ver com meus olhos?
Toda essa insanidade está aqui
E quer se libertar.
Você me entende?
Me dê a mão, anjo, sente-se ao meu lado.
Entendes meu inferno?
Estou te deixando partir para sempre.
Sei que já é tarde,
Não vou te pedir mais uma hora de companhia.
Linda, no fim todos se vão,
Não tenha pena, me acostumo.
Um dia eu tambei hei de ir
Sair por esta porta e nunca mais voltar.
Sem corpo, sem alma, Livre.

quinta-feira, 10 de março de 2011

O Homem que Não Possuía à Si Mesmo

Fita a parede, estático.
O pus escorrendo das feridas,
Toda podridão de seu cadáver fétido;
Embreagado como sempre,
Acabado como nunca.
O punhal pendurado nas costas,
Os olhos perdem foco.
"Vai me deixar aqui?
Eu não quero mais isto, não"
O futuro escorre o ralo
Boia no esgoto da falsidade.
"Está na hora de aceitar
Está pra lá de morto,
Vai acabar afogando
No seu próprio vômito.
Caia lá pra outro lugar,
Aceite, só aceite
Não venha pro meu lado
Com essa conversa fiada"
O cigarro pela metade,
Esfumacea-se no cinzeiro
E as esperanças entre a poeira preta.
Sentado no sofá, o defunto sonha
As luzes da cidade se apagam
As oportunidades sepultadas.
"Esse papo me cansa"
Desliga a Tv, num suspiro
"Esse seu moralismo
Não vale uma moeda de 10 centavos,
O que eu queria mesmo era
Uma dessas mulheres da propaganda da Skol"
Esboçou um sorriso frio, amarelado,
Coçando a barba mal feita.
Estar isolado não era escolha.
As pessoas olhavam mas,
Não entendiam a profundidade.
"Covardes! Optem por viver no raso,
Vou pras ondas onde homens morrem afogados!"
Difícil caminhar tendo a certeza do regresso
"Não encoste em mim,
Saia, saia de perto
Ah! Desgraçado"
Morrendo as mínguas,
A última lágrima, a mais dura,
Varreu o lodo do carpete.
"Minha nossa senhora!
Esse aí não volta mais."

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Cair da Noite

A penumbra cobria o céu,
E a alma se aconchegava
No manto negro da noite que nascia.
Ansiava algo que não podia alcançar;
A angústia é um filho desgraçado
No útero da escuridão mais intensa.
A frustração era concreta
Como um abismo infinito.
Poderia caminhar pelo meio fio,
Sem nunca se aperceber
De que ele estava lá,
Mas, infiel, olhou pra baixo.
Desejava precipitar-se;
Lançar seu corpo magro
Contra a escuridão sem fim.
Desejava livrar-se
Do cárcere que eram seus contornos;
Libertar-se da mente insana
Que o guiava para o nada,
Que fazia das faces sem vida
Do dia-a-dia, sua maldição.
A desesperança corriqueira,
O tormento, a falta de vontade na vida,
Tudo era tão trivial, comum.
O vazio o engolia aos poucos,
Sua alma era massacrada,
Dilacerada por suas fobias.
Seguia inerte, sem objetivos.
Envolto à sua solidão,
Almejava ser outra pessoa,
Alguém que sofresse menos,
Que pensasse menos.
Triste, deitou-se,
E apesar de grande seu desejo
De que o dia não amanhecesse;
Aconteceu.



[Me sepultem, me enterrem
Estou morto, morto!]

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sobre a Última Chuva que Caiu Sobre minha Tez

Caminhava pela rua,
Voltando triste pra casa.
Chutava pedras
E amaldiçoava cães
Quando a chuva começou
cair leve sobre minha existência.
(E molhar meus tênis sujos)
Olhava para todos os lados
Contemplando uma solidão
Que já não me machucava tanto
Quanto se fosse noite
Ou se estivesse entre quatro paredes;
"O medo da chuva faz com que
as pessoas fiquem em casa" - Pensei
ironicamente, começou a chover mais forte.
Continuava caminhando
Firme, como quem nada teme,
Ou como quem não tem opções,
Ou ainda como aquele que já não tem nada a perder
Quando seus sonhos estão pesados
E congelados pela chuva forte.
Vinha calculando frases,
Sonhando com imagens profundas
Que vêm subjetivas em minha mente
Mas sem ser imagens ainda.
"Não fale das coisas
as quais não pode ver
São cegos em essência
Os humanos que julgam
ser os donos da verdade"
- Inteligente, concluí
E um calafrio tomou meu corpo;
E passei as mãos no rosto
Como se fossem enxugar;
E novamente;
Tentava dar nitidez à visão turva
Pela água que às retinas embaçava.
Vislumbrei uma bela árvore,
Essas de grandes copas e folhas largas,
Apenas uma, mas ainda muito bela,
Solitária como eu num dia de chuva,
Ou numa noite de insônia,
Me abriguei sob seus galhos,
"Só até esta chuva cessar" - pensei.
E co'as metáforas que a
(agora) tempestade lavava,
O objetivo escorreu de minha mente e fugiu.
Sentei-me e sorri para ela.
Ali, eu estava em casa.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Fuga / Refúgio

Renascem das cinzas os medos,
Das tumbas se ergue a tristeza.
A morte domina o corpo,
A epilepsia, no insensato escuro;
A vida se vai, com todo seu peso.
Os cadáveres estão eufóricos
Anseiam morrer novamente.
Os cadáveres estão tremendo
O remorso os corrói aos poucos.
Correndo, Vai pra longe,
Correndo, és insuficiente.
Inglória, o pó de seus tecidos
Expressão macabra, os olhos tristes.
No ar paira amoníaco,
O Ácido corre as veias
Acelerado o coração pulsa
Num súbito impulso, pára.
As fobias renasceram,
Os demônios se ergueram do sepulcro
Corra, covarde, corra!
Mas não pode fugir de si mesmo.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

(In) Amável

Não me dê a mão
Enquanto caminhamos pelo parque.
Minha face não é tão bonita
Quanto a dos heróis glorificados
Nas belas histórias de romance.
Não me fale sobre otimismo,
Se todo ele é infundado.
É culpa minha, eu sei.
As cicatrizes que a vida marcou em meu corpo
E a dor que não cessa nunca,
É tudo minha culpa.
Me corto e o sangue corre quente
Escorre pelo ralo, até que pare de sangrar.
Não me segure firme,
Mesmo que eu estremeça, no fim passa.
O fim, espero firme;
O fim no qual creio fiel.
Não me abrace e não me queira
Cansei deste desamor maldito!
Se me aprisionaram, há um motivo,
Riem de mim por não me conhecer.
Eu me conheço,
Não sei amar reflexos idiotas,
Não é pela sua piedade inútil
Que me amaliçôo com todas as palavras,
Por isso, não finja me amar,
nunca serás capaz.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Desesperança

Um espasmo no escuro
E um choro inaudível.
As entranhas putrefatas
Dos grandes sonhadores
Jogadas aos cães.
Sobre o que é seco
Tudo que nasce já está morto.
Fomos jovens,
Não mais somos.
Fomos vivos,
Nos sentimentos mais profundos
Do amor, não resta nada
Mas a depressão mais intensa
Nos tornava reais
Na solidão de nós mesmos.
Em algum tempo fomos vivos
E morremos sem perceber
que à cada dia,
à cada passo em falso
Caíamos de joelho e
Escoriamos nossas esperanças.
E a alma
Que disseram à tudo suportar
E a alma
Que sobreviveria ao pior mal,
Morre aos poucos nas noites frias,
Morre um pouco nos amores falsos,
Morre mais um pouco e mais um tanto.
E quando abrimos os olhos
E tentamos nos levantar,
Quando abrimos os olhos
Pra nos reerguer das cinzas,
Estamos sob o solo mais seco
Tentando viver dos restos
De algo que nunca foi real.



[Eu não sou hipócrita, não amo pela metade]

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Vamos falar de futuro!
Vamos almejar felicidade
Vamos lá! Sejamos otimistas
Ascenção.. Evolução..
Cadê!?
Em que ralo foi que escorreu minha fortuna?
Ah! Maldição!
Onde está a maldita sombra
Neste Sol dos infernos?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Incerteza Incessante

Dos muros e prédios embolorados da cidade
Tudo caía, só restava ruína.
Caminhar sereno e mórbido,
Olhar fixo no chão, sem nitidez.
Os olhos brilhando de lágrimas
E os sonhos sujos de terra.
A incerteza assassina atacava.
"Sente-se aqui, garoto
Lamente o cego amor.
Sente-se e lamente, Mais uma vez".
A cabeça doía, incessantemente
O frio ardia, eterno e empretecido. (destino)
Até quando a desesperança embalaria meu sono?
Sem ação - sem reação
Parado no tempo, como quem
Ambicioso, consegue não alcançar nada.
De passos curtos e mente vazia,
Desmoronei.
"Não me abrace como quem me abrange
Não me toque como quem me sente
Não me seja como quem me ama.
Porque não me amo como te amei.
Pois não sou e não voltarei à ser"
-Sentei e chorei, incompreendido (Eterno...)


Estou longe de ti, me afastei de mim.
Nada, nada, nada, nada, nada, nada, vazio.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Esquecimento

Num impulso infinito de fome,
Quis a vida em sua beleza única.
Mas a ambição é uma sensação ambígua:
Engrandece e oblitera as belezas conquistadas.
Em minha cegueira intermitente
Vi que o vigor escorria por entre meus dedos;
O sorriso se fechou prontamente,
Esperei que um dia se abrisse,
Enquanto meus dentes apodreciam.
Esperanças se foram,
Como aves negras de olhos fundos
Que descobrem na noite, o horizonte mais longíncuo.
Acordei com as palpebras fechadas;
O frio estalava os cômodos empoeirados e o
Suor me escorria, mesmo que batesse o queixo.
A noite ladrava vil pelas ruas
Infinita, inoportuna e triste.
Restava a carcaça de meu corpo solitário,
Sem luz e sem vontade,
E o nada, que preenchia o tudo.
Por muitos anos estive ali,
No topo de minha torre esquecida.
Por muitos anos quis você,
Mas diante da tristeza, os dias se arrastaram
E almejar algo é matar a verdade do tempo.
O cruel esquecimento não veio à minh'alma
Nem veio a tempestade limpar a consciência.
Então continuei sempre à deriva...
Cego e faminto, espero o nunca.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

:D
Algo que faça querer acordar mais um dia?
Ainda restam pensamentos bons, no fundo! :)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cruel Realidade

No inferno em que me prostro
é que sinto a verdade correr meu sangue.
O inferno é onde moro
E a verdade são estes sete palmos de terra
Sobre meu túmulo solitário.
Mesmo que insignificante
E massacrado pela consciência de viver em prol
De algo que não mais me completa,
Continua firme este meu cárcere.
Muros altos, portões trancados,
A verdade é nua e crua;
Pornografia ofensiva
Aos olhos dos inocentes.
Corrompendo as mentes,
E abusando da felicidade vã,
A verdade é um mar de frustração
Pra onde corre o rio da vida.
Mesmo que ignorante
Diante dos Grandes Deuses ternos,
Ainda sei sentí-la (real).
E ela corrói, machuca
Queima a pele e os olhos
Do inferno em que me prostro,
E do Céu que um dia anseio,
Sabe ser real como nenhuma mentira.
É a verdade, matando e mutilando
Meus sonhos toscos e voláteis.
Sincera.
Sou o Deus da falta de sentido,
No altar da insignificância,
Diante do que é real
E com medo do que não é;
É a verdade. Nua, crua e cruel.


[não sei se gosto disso...]

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Falta de Significado

Arranco meus olhos na madrugada,
O sangue jorra sem cor nenhuma.
Minha cabeça maldita não vai parar,
Que venha a lança vil atravessar meu lado.
Essa doença está degenerando minhas células,
Nascemos pra morrer, afinal.
Definhamos; Somos insignificantes,
Imploremos perdão, sucumbamos na hipocrisia!
Me deito no caixão,
Por favor, feche minhas pálpebras.
Que vida há de crescer alegre
Neste solo infértil que é o mundo?
Vomito a vida pra fora do meu corpo.
Se me amas, Deus, não me deixe viver mais.
Se amas teu filho, Justo, acaba com tudo.
Que o veneno da víbora traiçoeira toque meu coração,
Desça o apocalipse na cabeça da humanidade!
Acaba com minha angústia, morte!
Adentra minha carne; Me liberta eternamente!
Não posso dormir à noite,
Se for acordar pra ver mais um dia.
Embala meu sono, fim dos tempos.
Nascer na inexistência
É mais gratificante que existir sem sentido algum.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Ano Novo, de Novo

Sem planos, de novo
Sem objetivos, nem sonhos
Vai ser pra sempre assim?

"...É tudo cópia, de uma cópia, de uma cópia..."
Ano novo, sonho morto.